Carta Aberta – À sociedade brasileira: até quando?
Brasil, até quando vamos fingir que somos um país igualitário?
Dói assistir, dia após dia, à diferença de tratamento entre pessoas brancas e negras. Dói ver um jovem negro como Marlon "o MC Poze", ser tratado com violência, com a cabeça empurrada para baixo, algemado, descalço, humilhado — enquanto outros, em situações tão ou mais graves, recebem respeito, até simpatia.
Recentemente, vimos a Ministra Marina Silva, mulher negra, ser desrespeitada em pleno exercício de sua função. Isso mostra que, mesmo com prestígio e cargo, ela ainda não escapa do preconceito. O que esperar então daqueles que vêm da periferia, sem título ou proteção?
Enquanto isso, Roberto Jefferson, armado, agressivo, foi tratado com diálogo. Cariani foi preso com respeito. Gusttavo Lima e Virginia, quando envolvidos em polêmicas, recebem acolhimento. Esse contraste não é coincidência. É um retrato fiel do Brasil real — o Brasil onde a cor da pele define o tipo de abordagem, o tom da voz do policial, o julgamento da sociedade.
Essa carta é um grito. Um grito de quem está cansado de ver a injustiça ser tratada como normal. De ver a hipocrisia ser camuflada por sorrisos falsos e discursos vazios.
Racismo existe no Brasil, sim. E ele mata, machuca, exclui, silencia. Fingir que não existe é ser cúmplice.
Precisamos olhar no espelho coletivo e admitir: temos um problema grave. E só vamos começar a resolver quando pararmos de negar.
Com indignação e esperança de mudança,
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